Zé Povinho, mexe-te

Triste que é, quando as pessoas não se interessam pelo que está à sua volta, pelo futuro dos seus filhos, pela sua vida!
Nem todos temos os mesmos interesses, é verdade. Mas por favor, estamos a falar da organização social, das suas condições de vida, das condições de trabalho, do que o filho vai ser e ter. Até podemos perceber que é mais confortável não querermos saber o que está à nossa volta e tentarmos viver uma vida mediana. Porque quanto menos soubermos menos contrariedades teremos.

A questão é que ao fazermos isso, ao conformarmo-nos, as pessoas sem escrúpulos que estão no poder vão-se apoderando de mais e mais poder e dinheiro e aí chega a ditadura. E vai haver um momento em que os que não queriam saber de nada, vão-se revoltar. Mas porquê deixar chegar as coisas a este ponto? Quando houver capacidade de nos questionarmos sobre as coisas à nossa volta, sem deixarmos chegar ao extremo, será necessário outro tipo de sociedade, mas enquanto for assim vamos fazer as revoluções de século em século, que mais parecem discos riscados.

É verdade que temos que olhar para outro ponto. A sociedade também está organizada de forma a que as pessoas pensem que está tudo bem. Dizem-me sempre: “Estamos em democracia”. Os media são algo essencial deste pensamento. Diria que os media estão sempre do lado de quem manda. E não estão com essa posição só porque sim… Interesses, parcerias, poder, dinheiro. Vai dar sempre tudo ao mesmo: Dinheiro e poder. Mas que sociedade! Como é que tanta gente compactua com isto? Existem vários pontos estratégicos. Já referi os media, como poderia referir mais alguns. Um destes pontos é uma escola que tira todos os sonhos e capacidade de ter outras ideias! Neste sistema a escola é fundamental para impor uma autoridade, um sentido de obediência e de não questionar. Não é por nada que se diz que a escola prepara para o mundo do trabalho… Prepara cada um de nós para obedecer a tudo e todos e para querermos trabalhar mais, para ganhar mais.

Imaginemos, um trabalhador de uma fabrica. Ele tem graves problemas financeiros. O que é que ele faz? Trabalha mais, obedece mais, é capaz de vender o seu trabalho mais barato para o patrão o querer a ele e não aos outros. O que é que ele ganha com isso? Ganha um passe para ser escravo do mundo dos negócios. O que é que ele deveria fazer? Desobedecer. Reivindicar os seus direitos. Juntar-se a sindicatos decentes, aqueles sindicatos que faziam parar um setor inteiro de produção prejudicando o patrão e fazendo com que ele não tivesse outra escolha senão dar aos trabalhadores o que eles reivindicavam. Infelizmente hoje em dia o sindicato a maior parte das vezes já não é isso.  É mais um instrumento para dar a ideia (falsa) que controlamos a nossa vida e que temos todos os direitos que merecemos.

“A desobediência é o verdadeiro pilar da liberdade, os obedientes serão escravos”, Henry David Thoureau. Só quando esta mensagem for recebida e bem interpretada (já que temos de desobedecer com critério) por todos nós é que a sociedade pode realmente mudar e acabar com a desigualdade social. E perguntam: Quando a sociedade entender e tornar sua esta ideia como vai haver ordem se só há desobediência? Através de debates, assembleias e propostas que visem o interesse das populações. Aí poderá haver esse consenso alargado. Não através do voto que, em geral, só demonstra uma visão – a de quem é eleito. Só com o diálogo e o debate é que se chega a conclusões nas quais  a maioria e a minoria saiam, de facto, beneficiadas.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: